Uma singela viajera vê pela janela do ônibus que a leva ao próximo destino a paisagem que passa infelizmente rápido demais de modo que não guarda na memória detalhes descritíveis, só uma casinha de pintura descascada que figura no meio do costumeiro verde da beira de estrada, velha velha e chama atenção porque não é verde enquanto procura o motivo ou resposta pro permanente estado de solidão conformada que todos que conhece partilham e achou que aquela casa rosa-descascado era a imagem daquilo sobre o que vinha refletindo.
- Cê leva as palavras muito a sério.
- E tu os legumes!
- Mas é o meu trabalho!
- Mas e as palavras são o meu.
- Isso é o que cê fica dizendo por aí.
- Tu sabe que eu tô passando por um período difícil.
- E enquanto isso os meus legumes que te sustentam.
Um senhor já pra lá da meia idade recém expulso inclusive do sofá da sala toma pela primeira vez em anos o posto do fiel motorista e dirige para além dos limites da cidade, onde todos conhecem seu nome e sua pose mas ninguém pode saber do oficialmente recém findo casamento de anos e anos de atrasos pro jantar que depois comia em silêncio na cabeceira da mesa de doze lugares ouvindo o cuco do relógio grande antigo de cuco, boa madeira suíça.
- Bom dia, gostaria de alugar sua casa pelo período de dez dias.
Quedou estarrecida a dona da casa, sendo tamanha a mal diagramação do sujeito.
- Pago-lhe dez mil em dinheiro e adiantado se a casa oferecer calefación.
- Eu queria ter contado nos dedos as vezes que te falei da merda da calefación.
- Te acalma, inventei um novo cozido!
- Ah, e eu terminei uma história!
- Sério??! Qual??
- A nossa.